quinta-feira, 26 de março de 2015

Como as bonecas surgiram na minha vida?


Recentemente me fizeram essa pergunta e respondi como comecei a costurar as bonecas de pano que faço hoje, mas acho que não foi aí que elas surgiram na minha vida. Como toda menina brinquei muito de bonecas na infância, tive bonecas de tecido, de plástico, umas que falavam e outras que andavam. Mas de todas as bonecas que tive, uma é muito especial e não é nenhuma dessas que se pode comprar. Ela tinha que ser encontrada.



Quando passávamos  o final de semana no sítio da minha avó, não era como hoje que as crianças
sempre levam seus brinquedos, jogos e celulares pra se distrair. Pra nossa sorte, não havia lá brinquedo algum, nem uma boneca sequer!  Só nos restava um quintal enorme onde tínhamos que encontrar nossas distrações. A busca começava sempre em cima da gruta de pedra construída por minha querida avó, devota de Maria e que abrigava ali sua Santa. Era na laje da gruta que caiam as vagens secas do mini flamboyant plantado ao lado. Elas secam e ficam enroladinhas, quase um cilindro e a gente tinha que selecionar as melhores, as que eram muito abertas não serviam. Ah e era delicioso pisar sobre as que não íamos usar!  Já com os corpinhos das bonecas na mão era a hora de correr o quintal a procura de penas  pelo chão. Eram as penas das galinhas de angola, dos gansos e dos marrecos que minha avó cuidava com tanto carinho que seriam as roupas das nossas amadas bonecas. A casa era nas raízes expostas de algumas árvores, a gente só limpava, colocava alguns gravetos e folhas e estava tudo pronto! A parte mais gostosa da brincadeira era com certeza a procura. Selecionar e imaginar como elas seriam! Elas não estavam prontas e  podíamos sonhar...
Desconfio que continuo de certa maneira brincando de achar minha boneca!



2 comentários:

  1. Beautiful and fun story!!!! Thanks for sharing!!!!

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    1. Thank you for your comment Carla! I'm glad you liked! :)

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